O RACISMO EM ALLAN KARDEC

(...)"Partindo então dessa premissa falsa, de que os mais capazes têm uma alma mais “evoluída”, Kardec passa das pessoas aos povos, e destes, às raças. E aqui começam as pérolas (os destaques nas citações a seguir são todos nossos).
Kardec começa afirmando que é materialmente impossível um selvagem (negro, como ele vai explicitar mais adiante) se torne um sábio:

“O selvagem feroz pode, numa só existência, adquirir as qualidades que lhe faltam? Que educação dar-lhe-íeis, desde o berço, para fazerdes deles um São Vicente de Paulo, um sábio, um orador, um artista? Não; é materialmente impossível.” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862).

Depois, Kardec afirma que, sem a reencarnação, Deus seria injusto por dar mais aptidões aos brancos do que aos negros:

“Mas, então, porque nós, civilizados, esclarecidos, nascemos na Europa antes que na Oceania? Em corpos brancos antes que em corpos negros? Por que um ponto de partida tão diferente, se não se progride senão como Espírito? Por que Deus nos isentou do longo caminho que o selvagem deve percorrer? Nossas almas seriam de uma outra natureza que a sua? Por que, então, procurar fazê-lo cristão? Se o fazeis cristão, é que o olhais como vosso igual diante de Deus; se é vosso igual diante de Deus, porque Deus vos concede privilégios? Agiríeis inutilmente, não chegaríeis a nenhuma solução senão admitindo, para nós um progresso anterior, para o selvagem um progresso ulterior; se a alma do selvagem deve progredir ulteriormente, é que ela nos alcançará; se progredimos anteriormente, é que fomos selvagens, porque, se o ponto de partida for diferente, não há mais justiça, e se Deus não é justo, não é Deus. Eis, pois, forçosamente, duas existências extremas: a do selvagem e a do homem mais civilizado.” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862).


E a seguir, Kardec afirma que as raças “inferiores” têm "atrofia dos órgãos da inteligência", isto é, como se diz de modo bastante vulgar e ofensivo, seriam “burros”. Afirma Allan Kardec que dar um corpo “evoluído” para a alma de um negro, menos “evoluído” segundo ele, seria como dar um excelente piano a alguém que não sabe tocar esse instrumento:

“O exame frenológico dos povos pouco inteligentes constata a predominância das faculdades instintivas, e a atrofia dos órgãos da inteligência [!!!]. O que é excepcional nos povos avançados, é a regra em certas raças. Por que isto? É uma injusta preferência? Não, é a sabedoria. A natureza é sempre previdente; nada faz de inútil; ora, seria uma coisa inútil dar um instrumento completo a quem não tem meios de se servir dele. Os Espíritos selvagens são Espíritos de crianças, podendo assim se exprimir; entre eles, muitas faculdades ainda estão latentes. Que faria, pois, o Espírito de um Hotentote no corpo de um Arago? Seria como aquele que não sabe a música diante de um excelente piano. Por um razão inversa, que faria o Espírito de Arago no corpo de um Hotentote? Seria como Liszt diante de um piano que não teria senão algumas más cordas falsas, às quais seu talento jamais chegaria a dar sons harmoniosos.” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862)."

"(...)Após essas declarações escandalosas, Kardec conclui associando o "grau de adiantamento" do corpo com o da alma:

“A Natureza, portanto, apropriou os corpos ao grau de adiantamento dos Espíritos que devem neles se encarnar; eis porque os corpos das raças primitivas possuem menos cordas vibrantes que os das raças avançadas.” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862).


Mais adiante, Kardec vai afirmar que a raça negra só pode progredir através do cruzamento com brancos... mais uma afirmação brutal e horrorosa:

“As raças são também perfectíveis pelo corpo, mas isso não é senão pelo cruzamento com as raças mais aperfeiçoadas, que lhes trazem novos elementos que enxertam [!!!], por assim dizer, os germes de novos órgãos.” (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862).

E na seqüência ele garante que os negros “SEM DÚVIDA” são inferiores:

“Os negros, pois, como organização física, serão sempre os mesmos; como Espíritos, sem dúvida, são uma raça inferior, quer dizer, primitiva; são verdadeiras crianças às quais pode-se ensinar muita coisa;" (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862).

E, para finalizar, Kardec afirma que os negros podem progredir, numa outra encarnação, dentro de limites estreitos, dizendo expressamente que a "raça negra, corporalmente falando, jamais alcançará o nível das raças caucásicas"... espiritualmente, sim, mas em outras encarnações:

“Sob o mesmo envoltório, quer dizer, com os mesmos instrumentos de manifestação do pensamento, as raças não são perfectíveis senão em limites estreitos, pelas razões que desenvolvemos. Eis por que a raça negra, enquanto raça negra, corporeamente falando, jamais alcançará o nível das raças caucásicas; mas, enquanto Espíritos, é outra coisa; ela pode se tornar, e se tornará, o que somos; somente ser-lhe-á preciso tempo e melhores instrumentos. Eis porque as raças selvagens, mesmo em contato com a civilização, permanecem sempre selvagens; mas, à medida que as raças civilizadas se ampliam, as raças selvagens diminuem, até que desapareçam completamente, como desapareceram as raças dos Caraíbas, dos Guanches, e outras. Os corpos desapareceram, mas em que se tornaram os Espíritos? Mais de um, talvez, esteja entre nós”. (Allan Kardec, “Perfectibilidade da raça negra” Revue Spirite, Abril de 1862).

As afirmações de Kardec são tão brutalmente racistas, que falam por si só e dispensam maiores comentários... elas deixam patente que Kardec era de fato racista, e dos mais grosseiros.

Estas citações vêm se somar às citações que já havíamos apresentado anteriormente, e que estão presentes em praticamente todas as obras doutrinárias de Kardec: “A Gênese”, “O Livro dos Espíritos”, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, “O Que é o Espiritismo?” e nas suas “Obras Póstumas”.

Em todas elas, ele utiliza suas concepções racistas como prova da necessidade da Reencarnação para explicar o que ele entende como Justiça Divina, dentro do seu sistema igualitário, onde tudo deve ser dado igualmente a todos, negando o ensinamento de Cristo na parábola dos talentos.

A doutrina da reencarnação espírita conduziu logicamente Allan Kardec diretamente ao racismo. Ou pelo menos abre uma brecha doutrinária que permite a justificação de uma atitude racista. Essas crenças na reencarnação e na evolução se harmonizam(...)"

A fonte do texto, estranhamente é de um livro de um apologista espírita, que tenta justificar a posição de Kardec, ao mostrar que era comum os cientistas daquela época, incluindo Darwin, Gobineaus, etc, serem racistas. Parece querer dizer que temos que dar um desconto para o zeitgeist( espírito/moral da época) e perdoar Kardec. Se você quer ler o livro do cidadão:

http://www.apologiaespirita.org/objecoes_refutadas/racismo_em_kardec.htm

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